Google entrega SERP envenenada pras ferramentas de SEO, e seu relatório pode mentir
Ahrefs, Nozzle e outras ferramentas confirmam: o Google está servindo resultados trocados pra quem coleta SERP em massa. Seu site pode ter "sumido" do relatório sem ter perdido posição nenhuma.
O Google está mandando resultados de busca adulterados pras ferramentas que monitoram ranking, e a Ahrefs confirmou isso oficialmente em 22 de outubro: dependendo do fornecedor de dados, entre 5% e 20% das SERPs coletadas vêm "envenenadas". Na prática, aquele tombo do seu site no rank tracker pode ser só dado ruim, sem queda real nenhuma no Google.
A SERP envenenada é traiçoeira porque não tem cara de erro: não aparece CAPTCHA nem página em branco. O Google entrega uma página de resultados completa e normal, só que com outros sites no lugar dos que realmente estão ranqueando pra quem pesquisa de verdade. A ferramenta grava aquilo como se fosse a posição real, e pronto: o relatório do cliente sai com uma queda que não existe.
Os números que as ferramentas já mediram
A Ahrefs não detalhou metodologia, datas nem tamanho da amostra no post, mas disse que o problema atinge o mercado inteiro, não só ela. Quem trouxe mais dado foi a Nozzle, que analisou cerca de 27 milhões de SERPs em 52 países, no desktop e no celular:
- Antes e depois: desde meados de setembro, cerca de 8% das SERPs coletadas vieram trocadas. Antes disso, a taxa era de 0,17%.
- Pico: o pior dia foi 29 de setembro, quando a taxa passou de 27%. Em 14 de outubro caiu pra perto de 3% e voltou a subir pra 7% em 18 de outubro.
- Seu site some: nas SERPs envenenadas, sites dos clientes que estavam no top 10 ficaram de fora 60,2% das vezes, contra 2,7% no normal.
- Quem aparece no lugar: redes sociais e fóruns ganharam espaço. O Facebook, por exemplo, subiu de 21,6% pra 29,9% de presença nessas páginas.
- Buscas locais: pesquisas com "perto de mim" foram envenenadas 12,8% das vezes, contra 8,2% nas outras.
Quanto das SERPs veio trocado
Dados da Nozzle, cerca de 27 milhões de SERPs em 52 países
Fonte: Nozzle, via Coywolf e PPC Land. O pico é de um único dia.
Seu site no top 10 sumiu da página
Percentual de vezes em que o site do cliente ficou de fora
Fonte: Nozzle, via Coywolf.
Outras ferramentas confirmaram o fenômeno, cada uma com o seu número. Segundo o PPC Land, a DemandSphere viu resultado errado em cerca de 11% das checagens diárias em 13 de outubro, a AccuRanker registrou o início em larga escala em 24 de setembro (com taxa abaixo de 1% em meados de outubro), e a Semrush disse que o problema começou no fim do verão do hemisfério norte e que já filtra os dados. O Google não comentou publicamente nenhum desses relatos.
Por que o Google faria isso
Não há explicação oficial. O contexto é que o Google vem apertando o cerco contra quem raspa a SERP de forma automatizada: em setembro de 2025 o parâmetro num=100 parou de funcionar, e a agência francesa RESONEO documentou novos testes antirrobô do sistema de proteção da busca em agosto deste ano. Trocar resultados, em vez de bloquear, é um jeito de tornar a coleta inútil sem avisar quem está coletando. Isso é leitura do mercado, não confirmação do Google.
O que fazer agora, na prática
- Confira no Search Console antes de entrar em pânico: se o rank tracker diz que seu site sumiu, mas as impressões e os cliques no Search Console seguem iguais, a Nozzle é clara: nada mudou de verdade.
- Desconfie de queda repentina e isolada: espere alguns dias e compare SERPs de datas diferentes. Relatos indicam que muitas SERPs envenenadas voltam ao normal em poucos dias.
- Olhe a SERP inteira, não só a sua posição: se menos da metade dos sites que costumam aparecer pra aquela palavra-chave está na página, o critério da Nozzle aponta resultado trocado.
- Pergunte pro seu fornecedor: Ahrefs, Semrush e SISTRIX dizem que já filtram resultados anormais. Vale cobrar da sua ferramenta como ela trata isso e se há aviso no painel.
- Avise o cliente antes que ele veja: coloque uma nota no relatório de outubro explicando o problema. Melhor você contar do que o cliente achar que o SEO afundou.
Antes de sair mudando tudo: os percentuais variam muito de ferramenta pra ferramenta e nenhuma delas abriu metodologia completa. O Google não confirmou nem explicou a prática. Também não há recorte específico do Brasil nos estudos, mas a Nozzle viu o fenômeno em 52 países, então não dá pra contar com imunidade por aqui. E vale lembrar: dado de terceiro sempre foi estimativa. A fonte mais confiável da sua performance continua sendo o Search Console.
- Ahrefs, An update on Google's poisoning of search results
- PPC Land, Ahrefs says Google poisons 5% to 20% of results served to SEO data tools
- Coywolf, Google is feeding rank trackers poisoned SERPs with swapped results, Nozzle finds
- Brodie Clark, Poisoned Google SERPs: How to Spot Them and Still Track Rankings
- RESONEO, BotGuard Google (atualização de outubro de 2026)
Fofoca de rank tracker agora só com print do Search Console, viu?
Ouviu alguma coisa sobre esse assunto? A gente quer saber.
conta pra foca