ChatGPT manda menos de 1% do tráfego que o Google manda, mostra estudo com 100 sites
Análise de 12 meses de GA4 mostra que o Google orgânico ainda manda quase tudo, e outros dois levantamentos reunidos pelo Search Engine Roundtable apontam na mesma direção. Só que o visitante que vem do ChatGPT compra mais.
O ChatGPT enviou só 0,62% do volume de visitas que o Google orgânico mandou para os mesmos sites, segundo um estudo publicado em 21 de outubro pela consultora de SEO Marie Haynes. Ela analisou 12 meses de dados do GA4 de 100 sites de tamanhos variados, somando mais de 145 milhões de sessões. Somando todos os chatbots de IA, a conta sobe pra 0,73% do tráfego do Google orgânico. Sem enrolação: pra cada 100 visitas do Google, o ChatGPT trouxe menos de uma.
O título do artigo já entrega o tom: "GEO is a distraction" (GEO é uma distração). E a própria autora, que vinha apostando forte em otimização pra IA, escreveu: "We were wrong" ("Nós estávamos errados"). A conclusão dela é direta: "A busca por IA que está de fato mandando gente pras empresas hoje não é o ChatGPT. É o Google."
Os números que a foca separou
O estudo não fala só de volume. Ele também olha conversão, e aí a história fica mais interessante:
- Conversão: quem chegou pelo ChatGPT converteu a 13,8%, contra 3,02% de quem veio do Google orgânico. É mais de 4,5 vezes.
- Volume de conversões: mesmo assim, o Google orgânico gerou 964 conversões contra 36 de todos os chatbots somados, cerca de 27 vezes mais. Nos 55 sites que medem conversão, o Google respondeu por 96,5% do total analisado.
- Crescimento travado: segundo Haynes, as visitas vindas do ChatGPT pararam de crescer em ritmo exponencial em agosto de 2025, perto do lançamento do GPT-5, e caíram desde então.
- Medição furada: 45 dos 100 sites não tinham nenhum evento-chave configurado no GA4.
Não foi só um estudo
Na mesma semana, o Search Engine Roundtable juntou outros dois levantamentos que vão na mesma linha. Um relatório da agência britânica SEO Works aponta que a busca orgânica entregou 39 vezes mais tráfego que os assistentes de IA, e que, pra cada 100 conversões vindas do orgânico, a IA trouxe 3,2. Já Kevin Indig, da newsletter Growth Memo, analisou 12 sites e não conseguiu detectar tráfego direto pra páginas de cauda longa causado por IA, nem uma relação confiável entre visibilidade em IA e buscas de marca.
O que fazer agora, na prática
- Não abandone o SEO clássico: se o Google ainda manda a maior parte das visitas e das vendas, é ali que mora o orçamento principal. O próprio Google tem respostas de IA (AI Overviews e AI Mode), então otimizar pro Google já é otimizar pra IA.
- Meça a IA no seu próprio GA4: crie um agrupamento de canal pra chatgpt.com, perplexity.ai, gemini.google.com e companhia. Compare volume e conversão com o orgânico antes de mudar a sua estratégia por causa de estudo de terceiros.
- Configure eventos-chave: quase metade dos sites do estudo não media conversão. Sem isso, você não sabe se o visitante da IA vale mais ou menos pra você.
- Trate a IA como canal de qualidade, não de volume: a taxa de conversão alta sugere visitante mais decidido. Vale ter páginas de produto, preço e comparação bem claras pra quem chega com a pergunta já respondida.
O que muda pra você
Se o seu chefe ou cliente está perguntando "e o GEO?", agora você tem número pra pôr na mesa. Isso não quer dizer ignorar a IA: quer dizer dosar o investimento de acordo com o que os seus dados mostram, e não com o que o LinkedIn está gritando.
Antes de sair mudando tudo: a própria Haynes chama a base de "meu pequeno conjunto de dados", e o artigo não detalha país, setores nem como cada site define conversão. Também não há recorte do Brasil. O relatório da SEO Works e a análise de Indig foram lidos aqui pelo resumo do Search Engine Roundtable, que não detalha a metodologia da SEO Works. E nenhum dos estudos mede ROI de GEO diretamente: eles medem tráfego e conversão.
Tanto barulho pra 0,62%? A foca vai continuar fazendo SEO, obrigada.
Ouviu alguma coisa sobre esse assunto? A gente quer saber.
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